Financiamento imobiliário: guia completo

Atualizado em 19 de julho de 2026 · revisado por Lucas Silva

Financiar um imóvel é pegar um crédito de longo prazo, com o próprio imóvel como garantia (alienação fiduciária), para pagar em parcelas mensais pelo sistemaSAC ou Price. No Brasil, a operação segue oSFH (para imóveis até um teto de valor, com regras e taxas limitadas) ou oSFI (sem teto, mais flexível). Este guia reúne, num só lugar, cada etapa do processo — da entrada mínima aos documentos exigidos.

SFH ou SFI: qual sistema usar

O Sistema Financeiro da Habitação (SFH), criado pela Lei 4.380/1964, financia imóveis residenciais urbanos com regras específicas: taxa de juros limitada por lei, uso permitido do FGTS e um teto de valor de avaliação do imóvel — hoje emR$ 2.250.000,00, segundo a Resolução CMN nº 5.255, de 10/10/2025. Já oSistema Financeiro Imobiliário (SFI) não tem teto de valor nem limite legal de taxa: bancos definem as condições livremente, o que costuma resultar em taxas mais altas, mas permite financiar imóveis de qualquer valor, inclusive comerciais. Na prática, a escolha entre os dois normalmente não é do comprador — o valor do imóvel é que determina qual sistema se aplica.

O passo a passo do financiamento

  1. Simular em mais de um banco. Compare taxa de juros, sistema de amortização (SAC ou Price) e o Custo Efetivo Total (CET), que é o que realmente mostra o custo da operação. Acalculadora de financiamento imobiliárioajuda a comparar SAC e Price antes de procurar o banco.
  2. Reunir a documentação pessoal, de renda e do imóvel pretendido.
  3. Passar pela análise de crédito, em que o banco verifica renda, histórico e capacidade de comprometer parte do orçamento com a parcela.
  4. Aguardar a avaliação do imóvel feita pelo banco, que define o valor máximo financiável com base no laudo, não no preço anunciado pelo vendedor.
  5. Assinar o contrato, com o imóvel entrando em alienação fiduciária como garantia da dívida, e contratar os seguros obrigatórios (MIP e DFI).
  6. Registrar a escritura no cartório de registro de imóveis, etapa que efetiva a transferência da propriedade.

Entrada, comprometimento de renda e FGTS

A entrada reduz o valor financiado e, geralmente, melhora a taxa oferecida — o percentual mínimo varia de banco para banco e conforme a avaliação do imóvel, não é fixo por lei. A parcela, por sua vez, costuma ser limitada a 30% da renda familiar comprovada, regra que vem do Plano de Comprometimento de Renda (Lei 8.692/1993) e de normas do CMN e do Banco Central. Quem tem saldo de FGTS pode usá-lo para reforçar a entrada ou amortizar o saldo devedor, desde que a operação siga as regras do SFH — veja os requisitos completos emFGTS para casa própria.

O que você vai encontrar neste guia

O financiamento imobiliário tem várias peças que merecem explicação própria. Este guia é o hub que reúne todas elas — comece por aqui e aprofunde no tema que interessar:

Fontes

  • Lei 4.380/1964 — institui o Sistema Financeiro da Habitação (SFH):planalto.gov.br
  • Lei 8.692/1993 — Plano de Comprometimento de Renda:planalto.gov.br
  • Lei 9.514/1997 — institui a alienação fiduciária de imóveis:planalto.gov.br
  • Banco Central do Brasil — Resolução CMN nº 5.255/2025 (teto de avaliação do imóvel no SFH):bcb.gov.br

Alguns valores e tetos citados (como o teto de avaliação do imóvel no SFH) são reajustados periodicamente por resolução do Conselho Monetário Nacional — confirme sempre o valor vigente antes de fechar uma operação.

Perguntas frequentes

Financiamento imobiliário é feito pelo SFH ou pelo SFI?
Depende do valor do imóvel. O SFH (Sistema Financeiro da Habitação) financia imóveis residenciais até um teto de avaliação — R$ 2.250.000,00 em 2026, pela Resolução CMN nº 5.255/2025 — com taxas de juros limitadas por lei e uso de FGTS permitido. O SFI (Sistema Financeiro Imobiliário) não tem teto de valor nem limite legal de taxa, e serve para imóveis mais caros ou operações fora das regras do SFH.
Qual o passo a passo para financiar um imóvel?
Em linhas gerais: simular a operação em mais de um banco, reunir a documentação pessoal e do imóvel, passar pela análise de crédito, aguardar a avaliação do imóvel pelo banco, assinar o contrato com garantia de alienação fiduciária e registrar a escritura no cartório. Cada etapa está detalhada nas páginas deste guia.
Preciso decidir entre SAC e Price antes de simular?
Ajuda saber a preferência, mas a maioria dos bancos permite simular os dois sistemas antes de contratar. O SAC paga menos juros no total; a Price tem parcela fixa e geralmente mais baixa no início. Veja a comparação detalhada em SAC ou Price: qual vale mais a pena.
O FGTS pode ser usado em qualquer financiamento imobiliário?
Só em operações que seguem as regras do SFH: imóvel residencial, dentro do teto de valor vigente, e respeitando o intervalo mínimo entre usos do fundo. O FGTS não pode ser usado em financiamentos do SFI. Veja os detalhes em FGTS para casa própria.
O que acontece se eu atrasar as parcelas do financiamento?
Como o imóvel fica em alienação fiduciária, o atraso pode levar à consolidação da propriedade em nome do banco e à venda do imóvel em leilão, seguindo prazos definidos na Lei 9.514/1997. É um processo com etapas e prazos específicos — vale entender a garantia antes de assinar o contrato.