Financiamento: como funciona

Atualizado em 18 de julho de 2026 · revisado por Lucas Silva

Financiamento é o crédito concedido para a compra de um bem específico — imóvel, veículo ou outro item — que costuma ficar como garantia da dívida. Ele se paga em parcelas pelos sistemasSAC ou Price, e o custo real da operação só aparece completo no CET, não na taxa de juros anunciada. Entenda cada peça abaixo.

Financiamento x empréstimo: qual a diferença

Os dois são operações de crédito, mas se distinguem pelo destino do dinheiro e pela garantia. No financiamento, o valor liberado tem uso definido em contrato — comprar um imóvel ou um veículo, por exemplo — e o próprio bem financiado costuma ficar como garantia (alienação fiduciária), o que reduz o risco do banco e tende a baixar a taxa. Noempréstimo, o dinheiro cai na conta sem destinação obrigatória e, na maioria dos casos, sem um bem em garantia — por isso as taxas costumam ser mais altas. Veja o detalhamento na página de empréstimo pessoal.

SAC x Price: os dois sistemas de amortização

Amortização é a parte da parcela que efetivamente reduz a dívida (o restante é juro sobre o saldo devedor). No Brasil, dois sistemas dominam os financiamentos de longo prazo, sobretudo o imobiliário:

SistemaComo funciona
SAC (Sistema de Amortização Constante)A parcela amortizada é sempre igual. Como os juros incidem sobre um saldo devedor que cai mais rápido, a parcela total começa mais alta e diminui mês a mês.
Price (Sistema Francês)A parcela total é fixa do início ao fim. No começo, ela é composta majoritariamente por juros; com o tempo, a fatia de amortização cresce e a de juros encolhe.

Na prática, o SAC costuma resultar em menos juros pagos no total, mas pede uma primeira parcela maior — o que exige comprovar renda mais alta. A Price facilita o encaixe no orçamento porque a parcela não muda, ao custo de um total pago maior ao longo do contrato. Nos financiamentos pelo Sistema Financeiro de Habitação, o SAC costuma ser o padrão, com a Price oferecida como alternativa a quem não se enquadra na primeira parcela do SAC. A conta aberta, com exemplo numérico, fica nacalculadora de financiamento imobiliário.

CET: o número que realmente importa

A taxa de juros nominal mostra só o custo do dinheiro emprestado. OCusto Efetivo Total (CET) vai além: soma a essa taxa as tarifas obrigatórias, os seguros exigidos em contrato e outros encargos, e converte tudo em um percentual anual único. Desde 2007, o Banco Central exige que toda instituição financeira informe o CET nas operações de crédito com pessoa física — é ele, e não a taxa anunciada, que permite comparar duas propostas de bancos diferentes de forma justa. Veja o passo a passo do cálculo emcusto efetivo total.

Entrada e taxa de juros

A entrada é a parte do valor do bem paga à vista, reduzindo o quanto será financiado. Quanto maior a entrada, menor o saldo devedor e, geralmente, menor o risco que o banco assume — o que pode melhorar a taxa oferecida. A taxa de juros, por sua vez, varia conforme o tipo de bem, o prazo, o relacionamento do cliente com o banco e as condições do mercado — por isso vale sempre simular e comparar propostas, olhando o CET e não só o percentual anunciado.

Principais tipos de financiamento

  • Imobiliário — para compra, construção ou reforma de imóvel, geralmente com os prazos mais longos do mercado e o imóvel como garantia. Veja acalculadora de financiamento imobiliário.
  • Veículo — carro, moto ou outro veículo como garantia (alienação fiduciária), com prazos mais curtos que o imobiliário.
  • Pessoal — sem destinação obrigatória e, na maioria dos casos, sem garantia real; funciona mais como empréstimo do que como financiamento tradicional. Veja acalculadora de empréstimo pessoal.
  • Consignado — parcela descontada direto da folha de pagamento ou do benefício, dentro de um limite chamado margem consignável. Por ter cobrança automática, é a linha com as taxas mais baixas do mercado para pessoa física. Vejaempréstimo consignado.

Portabilidade: trocar de banco no meio do contrato

Pela Resolução CMN nº 4.292/2013 do Banco Central, qualquer financiamento ou empréstimo de pessoa física pode ser transferido para outra instituição que ofereça taxa menor, mantendo o mesmo prazo e o mesmo valor da operação original. O banco atual tem até 5 dias úteis para apresentar uma contraproposta; se não responder, a portabilidade segue seu curso. Entenda o processo completo emportabilidade de crédito.

Fontes

  • Banco Central do Brasil — Resolução CMN nº 4.881/2020 (Custo Efetivo Total):bcb.gov.br
  • Banco Central do Brasil — Resolução CMN nº 4.292/2013 (portabilidade de operações de crédito):bcb.gov.br
  • Banco Central do Brasil — Cidadania Financeira, normas do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e sistemas de amortização:bcb.gov.br
  • Febraban — Cartilha de Crédito Consignado:febraban.org.br

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre financiamento e empréstimo?
No financiamento, o dinheiro tem destino certo — comprar um imóvel, um veículo ou um bem específico — e esse bem costuma ficar como garantia (alienação fiduciária). No empréstimo, o valor cai na conta e você decide o uso; sem um bem vinculado, o risco para o banco é maior e a taxa costuma ser mais alta.
SAC ou Price: qual sistema de amortização é melhor?
Não existe resposta única. O SAC tem parcelas decrescentes e paga menos juros no total, mas exige uma primeira parcela mais alta. A Price tem parcela fixa, mais fácil de caber no orçamento no início, porém o custo total tende a ser maior. Bancos que operam pelo SFH costumam oferecer o SAC como padrão e a Price como alternativa para quem não comprova renda suficiente para a primeira parcela do SAC.
Por que o CET é mais importante que a taxa de juros anunciada?
A taxa de juros nominal mostra só o custo do dinheiro emprestado. O CET soma a essa taxa as tarifas obrigatórias, seguros exigidos pelo contrato e outros encargos, e converte tudo em um percentual anual único. Duas propostas com a mesma taxa de juros podem ter CET bem diferente — é ele que permite comparar ofertas de bancos distintos de forma justa.
Dar mais entrada sempre compensa?
Geralmente reduz o valor financiado, o total de juros pago e pode melhorar a taxa oferecida, já que o risco do banco cai. Mas comprometer toda a reserva de emergência para aumentar a entrada é um risco — vale comparar o custo dos juros evitados com o custo de ficar sem colchão financeiro.
É possível trocar de banco no meio do financiamento?
Sim, pela portabilidade de crédito (Resolução CMN nº 4.292/2013 do Banco Central). Você pode levar o saldo devedor para outra instituição que ofereça taxa menor, mantendo prazo e valor da operação original. O banco atual tem até 5 dias úteis para apresentar uma contraproposta antes da portabilidade se concretizar.